Copenhague: viajando pelo mundo

Como estava viajando havia muito tempo, dormi demais e acabei acordando umas duas horas antes da chegada a Copenhague. Fui até o vagão-restaurante, porque não queria incomodar o pessoal da minha cabine, que, àquela altura, dormia profundamente.

Queria planejar o futuro, mas, primeiro, recordei meus objetivos na Europa. Tudo se encaminhava para atingir cinco dos seis programados. Estava orgulhoso por ter realizado tantos deles.

Dos ocultos, Prekestolen e Grécia foram atingidos de modo brilhante. Passando aos objetivos reais, vi o Papa e o show no Moulin Rouge e, provavelmente, assistiria sem problemas à tourada na Espanha. Ficaria somente devendo um último objetivo oculto, as pirâmides do Egito. Infelizmente, não seria possível realizar tudo, mas, numa próxima aventura, transformaria esse objetivo oculto em real e o colocaria em primeiro plano.

Peguei o mapa de Copenhague, porém, devido às circunstâncias da viagem, era quase certo que seria apenas uma visita, sem muitas histórias para contar. Chegara à conclusão de que, enquanto mantivesse esse ritmo de viagem, passando o dia visitando uma cidade sem me instalar em albergues e partindo à noite, esse lugar seria qualificado como “visto” e nada mais.

Mesmo que estivesse com disposição, se valesse a pena permanecer mais um dia, dificilmente isso acabaria acontecendo. Era como ir a um barzinho e ter somente duas horas para encontrar e ganhar uma garota especial.

Definitivamente, as coisas não aconteciam de forma tão simples assim. Por esse motivo, estava praticamente certo que, depois de passar o dia em Copenhague, partiria à noite, para continuar minha saga em mais uma viagem noturna até Munique para pegar minha bagagem na casa do meu primo e, finalmente, aguentaria uma última noite até Amsterda, onde procuraria um albergue e, enfim, acabaria com aquela maratona.

Chegar a Copenhague foi muito estranho, pois embora conhecesse a estação, o guarda-volumes, ao mesmo tempo não estava certo se tudo era real ou um sonho. Essa indefinição só poderia ser causada porque mantive meus olhos fechados o tempo todo e, nas poucas vezes em que os abri, ardiam e lacrimejavam e, por isso, acabava vendo tudo embaçado…

Ainda bem que a situação, nesse momento, era diferente da minha última experiência naquela cidade.

Primeira parada: Tourist Information. Ainda que tivesse ideia do que fazer, por ter estudado o mapa, as informações poderiam ser úteis.

As perguntas de sempre:

– Quais são as atrações principais?

– Quais as distâncias entre elas?

– Onde se localizam no mapa?

– Quais os meios de transporte mais comuns a ser utilizados?

– Quais os meios de transporte mais baratos?

Decidi embarcar num ônibus até Langelinie, onde se encontrava a estátua da Pequena Sereia. Sentia-me feliz por visitar mais um marco mundial, mas fiquei decepcionado, porque a estátua era muito pequena e, pela expectativa que criara, achei-a perdida no meio do mar Kattegat. Enfim, tirei algumas fotos e logo fui embora. Resolvi voltar ao parque Tívoli caminhando e conhecendo a cidade que é belíssima, limpa, tudo de bom.

DÍrigi-me até Nyhava, onde fiz um passeio de barco por entre os canais. Que lugar gostoso! Na volta, já estava na hora do almoço e, então, bebi uma cerveja. Afinal, merecia, depois de tanta economia. Não faltavam bares e restaurantes naquela área.

Numa loja de suvenires, descobri que a primeira bandeira do mundo era originária da Dinamarca, datada de 1219 e, conta dessa história, comprei os emblemas dos três países escandinavos de uma só vez, já imaginando que teria algo para fazer no trem naquela noite.

Costurar não me agradava, porém, ver as bandeirinhas pregadas em minha bolsa de câmeras fotográficas era recompensador, ou melhor, fantástico. Àquela altura da viagem, já colocara oito bandeirinhas da Europa, além EUA e do Canadá, que pregara do outro lado, e uma bem grande do Brasil, no meio.

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