Villafáfila Castela e o Vale do Rio Douro

Localizada entre os terrenos planos da meseta do Norte, Villafáfila é reconhecida por sua comunidade de pássaros de “estepe”, além de ter sido considerada uma região pantanosa de importância internacional e, por isso, incluída no Tratado de Ramsar. Mais de 260 espécies de pássaros foram encontradas ali.

Villafáfila compreende 40 km2 de campos semiáridos de cereais, planícies e pastagens que são genericamente chamadas de “pseudo-estepes” devido à sua natureza antropogênica. Com 2.500 pássaros, esse mosaico de ecossistemas abriga o maior enclave de abetardas da Europa (se não do mundo). Ali também vivem o sisão, o cortiçol-de-barriga-preta e o tartaranhão-caçador, além da mais densa colônia de peneireiros das-torres de Castela e Leão (mais de 200 casais).

No coração de Villafáfíla existem três lagoas salinas rasas que, durante o inverno, podem juntas ultrapassar os 600ha. Nessa época, elas servem de abrigo para mais de 30 mil gansos bravos, assim como para milhares de outras aves aquáticas e pernaltas. Durante o verão, a região pantanosa atrai o tartaninhão-ruivo- dos-pauis, o pernalonga e a avoceta.

Vale do Rio Douro

Por mais de 120 km, no noroeste da península Ibérica, a indisputável fronteira entre a Espanha e Portugal segue uma espetacular fenda criada no solo silicoso pelo rio Douro (Duero, para os espanhóis). Em alguns lugares, a fenda tem mais de 400m de profundidade.

Vários afluentes acrescentam outros 200 km de vales fluviais – conhecidos na Espanha como arribes -, que em geral terminam em impressíonantes cachoeiras que se lançam repentinamente para desaguar no Douro. Um notável exemplo é Pozo de los Humos, no rio Uces, onde uma cachoeira com 50m de altura lança no ar inúmeros jatos d’água.

Essa paisagem selvagem e quase desabitada abriga um dos grupos mais densos de abutres fouveiros e do-egito da península Ibérica (325 e 129 casais respectivamente, em 2000). Essas aves, por sua vez, compartilham o habitat com 20 casais de águias-reais e 12 de águias-de-bonelli, muito mais raras.

Cegonhas-pretas também habitam a região, assim como bufos-reais e fakões-peregrinos. No vale procriam o chasco-preto, o melro-azul e gralhas-de-bico-vermelho. Uma viagem de barco rio acima, partindo de Miranda do Douro – o Cruzeiro Ambiental -, é um bom modo de se explorar o interior do vale, com enormes possibilidades de se avistarem águias-de-bonelli.

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