Veja por que Lisboa é a cidade mais linda do mundo

Apaixonado por livros, duas ou três vezes no espaço de 72 horas vejo-me tomando um táxi com destino à Livraria Bertrand ou à grande FNAC, no shopping Colombo, que fica de frente ao Estádio do Benfica. Diz-me o motorista que é o maior estádio de futebol da Península Ibérica é o segundo maior da Europa. Aproveita para dizer que o Colombo é o maior shopping Center da Europa e, tornando gosto pelos recordes portugueses, fala-me que a nova ponte de Lisboa tem 22 quilômetros de extensão e que nela um automóvel atinge 100km/h sem forçar o motor.

Não esquece de mencionar que Portugal tem dois tempos: antes e depois da Exposição Universal de 1998, a Expo98. O que resta dela, meio ano depois? Ah, um Oceanário gigantesco, este, com certeza, o maior do mundo. Nessa corrida de táxi de pouco mais de cinco minutos, identifico a origem do gosto brasileiro pelos superlativos.

Adquiro um CD com a bela música de Dulce Pontes. Essa cantora de 27 anos de idade é um prodígio. Sua voz é tema e comovedora e, quando canta Canção do mar, concede sentimento ao ato de cantar. Esta canção é das coisas mais belas que ouvidos humanos poderiam ouvir. Espanta males e atrai como um íma os melhores sentimentos e as mais delicadas emoções.

Adquiro um disco compacto do Trovante. Foi uma banda de meados dos anos 80 que redescobriu Portugal às suas novas gerações. A canção Deixa lá é a sinceridade em forma de música e de harmonia. Adquiro o CD Existir, do Madredeus. Que arte bela! É música suave e densa, entrecortada por harmonias feitas com naipes de cordas açoitadas pela voz de Teresa Salgado. As prateleiras expõem dezenas de discos de Amália Rodrigues. Pelas capas, vemos o surgir, o desabrochar, dessa intérprete maior dos amores lusitanos.

Não posso sair do Colombo sem antes provar da doceria portuguesa. Em um pequeno nicho do Sopa de Pedra, aproveito para saborear três sobremesas: travesseiro-da-periquita, toucinho-do-céu e barriga-de-freira. Os nomes remontam aos muitos conventos e mosteiros católicos que permeiam a história de Portugal. Em todos, ovos, muitos ovos. Colesterol, muito colesterol. Mas esses nomes parecem acrescentar um pouco de sabor a cada um deles e ali mesmo já começo a planejar um regresso a Portugal. O intuito parece claro: voltar a comer uma barriga-de-freira.

A garçonete, que por sinal é a dona do estabelecimento, reconhece-me como brasileiro e começamos a conversar. Recordo-a a dizer que “Lisboa é a cidade mais linda do mundo”. Ao perguntar “Por quê”?”, ela responde-me sem hesitação: Porque tem muita luz, luz de- mais, uma luz que nenhuma cidade do mundo tem”. Dito isso, não tenho nem o que argumentar, a favor ou contra. E quando já estou na rua tornando outro táxi, coloco logo os óculos escuros. É, Lisboa é atraída pela luz!

Vamos ao antigo cais do porto de Lisboa. Os armazéns foram transformados em bares e restaurantes e há música em toda a parte. Ë reconfortante ver os navios deixando no Tejo um rastro de espuma. A brisa que sopra é muito bem-vinda. Descubro que estar em Lisboa é como estar dentro de um grande navio, afastando-se da terra, singrando mares, aproximando-se de lugares imaginários, mergulhando no nevoeiro de um passado cheio de aventuras e desventuras, de emoções as mais variadas, mas mergulhando sempre no passado.

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