Teotihuacan, o Templo dedicado ao Deus Quetzalcoatl

Assim como o sol e o vento dos espaços abertos impressionam e evocam o trabalho coletivo, nos edifícios civis, palácios, praças e mercados, ingressaram em um mundo mais rico e próximo. Especialmente os pátios propiciam a sensação de serenidade, como no caso daquele pertencente ao palácio de Quetzalpapálotl (ave-mariposa), com suas belas colunas. Esse palácio fica localizado na esquina sul da Praça da Lua.

E um dos poucos edifícios que não era templo e foi reconstruído pelos arqueólogos. Destaca-se o pátio interior, cujos pilares encontram-se adornados com baixos-relevos. A maior parte mostra a figura de um animal mitológico chamado quetzal-mariposa, rodeado por símbolos aquáticos. Em outros, observam-se aves de frente com asas estendidas. Em algumas partes, ele, conserva uma pintura mural.

Outro point de Teotihuacan é o Templo dedicado ao deus Quetzalcoatl. É um dos edifícios mais bonitos do México pré-hispânico. A fachada é decorada com grandes cabeças de serpentes; entalhadas em baixo-relevo, serpentes ondulantes com o corpo coberto de plumas, acompanhadas de motivos aquáticos como conchas e caracóis.

A representação de Quetzalcoatl é feita por uma cabeça de serpente que emerge de uma espécie de flor de onze pétalas; a outra representa Tlaloc, o deus da chuva. Quetzalcoatl é uma deidade criadora, já que o caracol marinho, usado como trombeta, deixa ouvir o sopro divino em forma de som, e a concha simboliza a vulva materna, o nascimento das criaturas. O Templo de Quetzalcoatl contém uma espaçosa praça quadrangular formada por plataformas que medem 400 metros de lado.

Teotihuacan traz consigo a marca do divino, que se mescla com o humano. O humano está bem representado pelas ruas e casas. Ela teve atividades dignas das metrópoles, servindo como ponto de encontro para comerciantes que saíam do vale do México e se dirigiam a Puebla, Tlaxcala, incluindo-se a Mixteca e Tehuantepec. E um prodígio constatar que, construída em um vale similar ao da Cidade do México, sempre sujeito a chuvas e tempestades, dispõe de poucos poços de água!

Segundo estudos arqueológicos recentes, Teotihuacan era, por volta do ano 600 a. C, uma aldeia que iniciou a fabricação de objetos feitos com pedras da região. O excedente foi comercializado para outras regiões e depois foi possível planejar um comércio e uma agricultura eficientes, já por volta do século II a.C. Desde essa época, os conhecimentos desenvolvidos pelas culturas pré-clássicas se concentraram em tomo desse centro político e religioso que iria durar até o século IX de nossa era. O grau de refinamento e difusão da cultura teotihuacana tem sido considerado como a época clássica da América meridional.

Essa visita e essas lembranças me levaram a uma reflexão profunda. Ali, no alto da Pirâmide da Lua, pensei em nossos povos indígenas. Senti vergonha por ver o que existia nas entrelinhas. Esse sentimento de menosprezo de uns para com outros. Esse mal-estar de continuar encontrando diversos vocábulos como selvagem, inculto, indolente, estúpido para designar um único vocábulo: indígena.

A arrogância do descobridor, a ambição do colonizador, a prepotência dos que têm a tinta e o papel para escrever a história, à sua maneira, na ótica do vencedor, parece não ter qualquer noção de limite. E assim eternizam-se preconceitos infundados, criam-se novos fossos separando o que deveria: sempre unido: somos folhas e flores de uma mesma arvore, pertencemos a uma só humanidade.

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