Tehuantepec é um paraiso e Guardalajara um país

Tehuantepec

Se encontro em mim vestígios de uma pureza original é porque o pensamento voou para o México e pousou no que sobrou de Tehuantepec, onde uma multidão de olhos negros e profundos está ansiosa para conhecer o estrangeiro que chega. Esses olhos são de descendentes indígenas da nação Zapoteca.

Eles dizem o que discursos na Sorbonne de Paris jamais poderiam dizer. Falam de uma memória esquecida, de um tempo em que Paraíso era sinônimo de Mundo. Quando adormecem, parecem adentrar outras civilizações. São as civilizações da alma que desperta para ouvir as Belas Palavras. É em Tehuantepec que o coração emudece e o ouvido tenta escutar o passar do tempo.

Guardalajara

Guaradalajara tem uma praça dedicada à deusa Minerva, cercada por jatos d/água e belos canteiros de rosas. Estar nessa cidade do México é reviver um passado de antigas civilizações. Os mariachis, com seus violões, violas e violinos, enchem o ar com canções que falam de amor, um amor sôfrego, intenso, esparramado. As ruas bem traçadas fazem de Guadalajara um lugar para se guardar na memória.

As tradições mexicanas têm proeminência: os trajes, os cantos, os instrumentos e sobre tudo as memórias. Para quem viaja, nada melhor que poder cultivar amizades. E bom ter amigos. E se estes vivem em Guadalajara, sempre será um convite para festas, jantares, audições musicais, feiras de livros, saraus.

Cosmopolita, quanto maior parece ser enquanto metrópole em construção, mas esta cidade conserva os cheiros e aromas do México ancestral, os festejos dos povos indígenas preservados ao longo das gerações, a culinária que inclui os vários tamales, os desjejuns bem temperados. Tirar uma siesta em Guadalajara é se predispor a noites profundamente belas, lúdicas. Ela é um México dentro do México.

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